Só você não vê
Que o meu verso
Fica cego – covarde
Toda vez que sua rima
Me invade de prazer
Só você não escuta
Que minha poesia chora
Quando lê nas suas linhas
O nome de outra musa
... outra mulher qualquer
Só você não sente
Que meu poema indecente
Se molha... se assanha
E me mostra sem-vergonha
Se sonha que sua escrita me quer
terça-feira, 26 de dezembro de 2006
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
na moldura
Quero uma nova tela
De técnica inusitada
Uma natureza-viva
Torta e mal desenhada
Com olhos sobre ela... tingida!
Quero uma xilogravura carmim
Num auto-esboço transparente
Com contorno de nanquim
Feito em lençol ou espelho
Quero um vermelho diferente
Para enfeitar o meu poema:
Uma água-forte quase feliz
Estampada com cera de giz
De técnica inusitada
Uma natureza-viva
Torta e mal desenhada
Com olhos sobre ela... tingida!
Quero uma xilogravura carmim
Num auto-esboço transparente
Com contorno de nanquim
Feito em lençol ou espelho
Quero um vermelho diferente
Para enfeitar o meu poema:
Uma água-forte quase feliz
Estampada com cera de giz
domingo, 17 de dezembro de 2006
a noite... sendo*
É na boca faminta da madrugada
Que me sacio da sua ausência
Quando o gosto ambicioso do encontro
Despe o corpo das conveniências
E me veste com sua essência
É no obscuro noturno dos pêlos
Que seu hálito urgente me vasculha
Como agulha de bússola insegura
À procura de um norte entre os dedos
É na silenciosa passagem das horas
Que meus úmidos sussurros imploram
A imagem do beijo que me contorna
E devora meu desejo... que extrapola
* Lembrando do poeta Múcio Góes, do Diversos, que fez "a dor me sendo"
Que me sacio da sua ausência
Quando o gosto ambicioso do encontro
Despe o corpo das conveniências
E me veste com sua essência
É no obscuro noturno dos pêlos
Que seu hálito urgente me vasculha
Como agulha de bússola insegura
À procura de um norte entre os dedos
É na silenciosa passagem das horas
Que meus úmidos sussurros imploram
A imagem do beijo que me contorna
E devora meu desejo... que extrapola
* Lembrando do poeta Múcio Góes, do Diversos, que fez "a dor me sendo"
sábado, 16 de dezembro de 2006
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
in-certo rio
Sei de um rio que me rasga
Corta meus versos quando passa
E arrasta minhas rimas apressadas
Um rio que me transita pelas margens
No meio dos meus segredos femininos
E discorre ousado como o vento
É um rio lento... que me transborda clandestino
Com seu leito por vezes intermitente
Como é presente esse meu rio sem travessia
... Na correnteza da minha poesia!
Corta meus versos quando passa
E arrasta minhas rimas apressadas
Um rio que me transita pelas margens
No meio dos meus segredos femininos
E discorre ousado como o vento
É um rio lento... que me transborda clandestino
Com seu leito por vezes intermitente
Como é presente esse meu rio sem travessia
... Na correnteza da minha poesia!
domingo, 10 de dezembro de 2006
www.sem.vc
Das horas abreviadas e infinitas
Guardo apenas as janelas fechadas
Conversas intermináveis
Promessas [abstratas] minimizadas
Nas imagens interrompidas...
Pelo real barulho das chaves
Guardo apenas as janelas fechadas
Conversas intermináveis
Promessas [abstratas] minimizadas
Nas imagens interrompidas...
Pelo real barulho das chaves
sábado, 9 de dezembro de 2006
enchente
Se tua chuva morna
Me enche
E contorna
Meu centro
Enxugo a chuva dos olhos
... Chovo e me molho
Por dentro...
(re-post em "homenagem" à semana tempestiva que acabou)
Me enche
E contorna
Meu centro
Enxugo a chuva dos olhos
... Chovo e me molho
Por dentro...
(re-post em "homenagem" à semana tempestiva que acabou)
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
[brincando de haicai]
baila a rima
e paira:
bailarina
(poema produzido como exercício na Oficina de criação poética, sob orientação de Frederico Barbosa, realizada na Biblioteca Alceu Amoroso Lima - Henrique Schaumann/Cardeal Arcoverde-SP - que por sinal foi maravilhosa... e continuará no ano que vem: vale a pena conhecer aquele lugar!!)
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
vertigem
(para quem me quer desorganizada)
Cada vez que você se arrisca,
Rabisca minha escrita e inspira
um gesto do verso que me conquista...
Cada vez que você se atreve,
Despe minha rima e prefere minha pele
que pede, feminina, que seu sexo me espere...
Cada vez que você ousa,
rouba da minha boca
o gosto que me escorre da outra...
Cada vez que você me provoca,
Roça meus pêlos com os dedos
Se apóia em minhas costas
e dobra meus joelhos...
Cada vez que você me escuta,
Aguça meu gozo e se lambuza
... Pulso no seu gozo
e começo tudo de novo
Cada vez que você se arrisca,
Rabisca minha escrita e inspira
um gesto do verso que me conquista...
Cada vez que você se atreve,
Despe minha rima e prefere minha pele
que pede, feminina, que seu sexo me espere...
Cada vez que você ousa,
rouba da minha boca
o gosto que me escorre da outra...
Cada vez que você me provoca,
Roça meus pêlos com os dedos
Se apóia em minhas costas
e dobra meus joelhos...
Cada vez que você me escuta,
Aguça meu gozo e se lambuza
... Pulso no seu gozo
e começo tudo de novo
sábado, 2 de dezembro de 2006
leitura labial
Meu desejo circunflexo se pontua
quando sua oralidade me acentua
Na pronúncia rápida do sexo:
a sílaba tácita do verso
Na boca, o trava-língua, ainda átono
enrola o fonema mais aberto
...É assim quando você - sujeito grave -
me abre as páginas internas
e traduz com os lábios meus hiatos
: a fluidez da rima entre as pernas...
E eu (oblíqua crase - quase aguda)
conjugo outro orgasmo... que se articula
no predicado dessa leitura
quando sua oralidade me acentua
Na pronúncia rápida do sexo:
a sílaba tácita do verso
Na boca, o trava-língua, ainda átono
enrola o fonema mais aberto
...É assim quando você - sujeito grave -
me abre as páginas internas
e traduz com os lábios meus hiatos
: a fluidez da rima entre as pernas...
E eu (oblíqua crase - quase aguda)
conjugo outro orgasmo... que se articula
no predicado dessa leitura
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