sábado, 20 de janeiro de 2007

eco

a-
pelos
pelos
poros
pelos
pêlos*



pelo
menos
apelos
nos meus
pêlos

menos
poros
nos meus
(atro)pelos

(Todos os apelos...
que - ainda - silencio)

* apelos feitos pelo poeta para o meu "cio"

em (tuas) mãos

Depois que me deixo contraída
Em teu incansável dedilhar,
e me encaixo umedecida
em teu macio dedo anular...
Calo para que ouças
apenas meu pulsar inquietante
Que desespera de fato
...sabendo-me tua amante

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

dislexia

Para onde foram as rimas
Que se inscreviam em fonemas complexos
Naquele acompanhamento de ritmo
Entre a sintaxe rebuscada e a falta de nexo...?
Onde se meteram meus argumentos
Dilacerados versos sem pretexto
Meus restos de conjugação sem tempo?
Cadê o poema explícito
Que morava nas entranhas viscerais
Dos meus escritos agramaticais?

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

cio*


Cometo excessos
Excedo,
Extrapolo.
Exalo:
Desejos...
pelos...
poros...

*Ao poeta que lê meu silên-cio!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

messenger

Não me faz falta
Sua escassa conversa
A mesma palavra amarga
Que a rima nega a cada verso
Que você escreve e apaga
Não me farta mais
O vazio que completa as horas
Nem as noites alertas e desiguais
Numa outra imagem casta do rio...
Não me basta falar num grito
o nome que no infinito silencio!

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

retrato

Na censura do corpo
A luz do encontro
No teu rosto brilha primeiro
E te conduz à aventura
Do meu porto-labirinto...
A pedir exposto e inteiro
O gosto e a textura
... que ainda hoje eu sinto

domingo, 7 de janeiro de 2007

confissão

Vivo em suas fantasias
Como a vadia a labutar
E no silêncio da cama
Seus fetiches ocupam outro lugar
Sussurro desejos perversos
Na febre da noite cotidiana
Que guarda seu sexo mais perto
Para que ainda me arda a chama

sábado, 6 de janeiro de 2007

teu corpo

(Por Eza, o poeta)

Teu corpo esguio, esbelto e belo
Teus olhos amendoados, sob madeixas, amedrontados
Tua boca voraz com violência e velocidade
Me tirando o chão, ou me atirando a ele, que importa a posição ?

Teus seios pequenos, pontiagudos, perfeitos
Colados ao meu peito, pedinte e carente
De carícias, delícias e malícias
Dos abraços, teu regaço e teus espaços

Tua história de lutas, infindáveis batalhas
Superando no cotidiano o destino maroto
Que sendo justo e equilibrado, todos sabemos
Te reserva a felicidade...a realização plena

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

urbana-mente

Avenida Paulista
Infinita... às seis e meia
Na tarde que pisca vermelha
Enquanto na minha boca
A tua ausência passeia

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

os números nos versos*

As mãos passeiam devagar
Traçando o esboço
Da virgem nua que espera
Atentamente excitada:
seu corpo se deleita em letras
e se deita à espreita de um gesto vigoroso
do poeta, pintor clandestino
que rabisca um desejo
tecido em cores vivas na sua carne
E ele a sufoca com as mãos
A insinua em palavras perdidas
Inusitado e vulgar a consome em palavras
Ela, subjugada, se entrega facilmente
Entre letras esquecidas
E palavras conhecidas dos dois
Ela se deixa contornar com a saliva
Colorida que ele inventou
Para juntos apagarem os traços
Que o beijo dele tatuou

* Estes versos nasceram de uma conversa entre mim e um matemático muito sensível que me visita e poetiza em suas voltas...rs... Como eu não citei seu nome no post anterior, aproveito para reparar minha falha neste post, que foi meu primeiro a quatro mãos de verdade...rsrs...(Espero que o Moacir não fique bravo por ter perdido nossa tentativa de tempos passados...rsrs...)