domingo, 28 de janeiro de 2007

antídoto

Deixa que eu permaneça profana
Em cada estrofe escrita na cama
Das nossas noites em claro

Deixa que eu seja tua nova rima
A puta do poema... a menina
Do verso, o melhor pecado

Deixa que a acidez da minha poesia
Molhe tua boca com toda heresia
Do meu veneno imaculado

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

(olhos de) ressaca

The Day after...
A ausência das palavras está "justificada" em Moacir Caetano (esse moço dispensa apresentações... e merece todos os confetes do mundo!!) Meu poeta mais-que-perfeito!!!
Confiram!!!

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

avant-première

(um poema idealizado e editado a quatro mãos,
quatro pernas, duas bocas... cena a cena)*
No quarto - cenário improvisado
Cortinas e quadros são platéia
A contar quantos gemidos tortos
Cabem na nossa noite de estréia
Na cama, o lençol é tela
Nela projetamos o melhor do drama
Numa visão distorcida que dispensa câmera
Teu olhar, objetiva lente,
Toma minha nuca em primeiro plano
E cada gesto se prende na razão que se desgoverna
... entre as pernas, um beijo me põe tua boca
E ensaiamos a aventura que se estende
por um roteiro sem direção à procura do foco:
1° ato... meus desejos brilham entre teus dedos
2° ato ... meus seios deslizam e em tuas mãos se encaixam
Em todos os outros atos:
Se clímax me ofereço, te recebo ereção
Amadores e amantes neste filme
Repetimos... a cena... à exaustão

* Obrigada pela contribuição em todos os atos desse roteiro

sábado, 20 de janeiro de 2007

eco

a-
pelos
pelos
poros
pelos
pêlos*



pelo
menos
apelos
nos meus
pêlos

menos
poros
nos meus
(atro)pelos

(Todos os apelos...
que - ainda - silencio)

* apelos feitos pelo poeta para o meu "cio"

em (tuas) mãos

Depois que me deixo contraída
Em teu incansável dedilhar,
e me encaixo umedecida
em teu macio dedo anular...
Calo para que ouças
apenas meu pulsar inquietante
Que desespera de fato
...sabendo-me tua amante

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

dislexia

Para onde foram as rimas
Que se inscreviam em fonemas complexos
Naquele acompanhamento de ritmo
Entre a sintaxe rebuscada e a falta de nexo...?
Onde se meteram meus argumentos
Dilacerados versos sem pretexto
Meus restos de conjugação sem tempo?
Cadê o poema explícito
Que morava nas entranhas viscerais
Dos meus escritos agramaticais?

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

cio*


Cometo excessos
Excedo,
Extrapolo.
Exalo:
Desejos...
pelos...
poros...

*Ao poeta que lê meu silên-cio!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

messenger

Não me faz falta
Sua escassa conversa
A mesma palavra amarga
Que a rima nega a cada verso
Que você escreve e apaga
Não me farta mais
O vazio que completa as horas
Nem as noites alertas e desiguais
Numa outra imagem casta do rio...
Não me basta falar num grito
o nome que no infinito silencio!

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

retrato

Na censura do corpo
A luz do encontro
No teu rosto brilha primeiro
E te conduz à aventura
Do meu porto-labirinto...
A pedir exposto e inteiro
O gosto e a textura
... que ainda hoje eu sinto

domingo, 7 de janeiro de 2007

confissão

Vivo em suas fantasias
Como a vadia a labutar
E no silêncio da cama
Seus fetiches ocupam outro lugar
Sussurro desejos perversos
Na febre da noite cotidiana
Que guarda seu sexo mais perto
Para que ainda me arda a chama