domingo, 2 de dezembro de 2007

cíclico

outra manhã se revela
e me engana...
se me deixo plena
e me afogo
densa de planos
à espera
do beijo sonoro
cotidiano
noturno
que ilumina minha cama
quando durmo

sábado, 24 de novembro de 2007

mergulho

Um olhar boiava
fora do mar
afogava barcos
pesados e estrangeiros
(embarcações à deriva)
E a onda indecisa
me arrastava
para as saudades
oceânicas

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

livro de cabeceira

(para um artista e poeta)

leio teus versos
(perfeitos)
és agora:
poeta eleito
...deito sobre a medida
que a rima
dissimula
leio-te à procura
de um eu-lírico
que se perdeu
no desconcerto
íntimo
de um poema
que foi meu

sábado, 20 de outubro de 2007

ensaio

Antes de abrir as cortinas
Repasso a cena:
Quando, no palco, subo
E represento tua amante
Assumo o papel principal:
Mera coadjuvante,
- na tua cama -
protagonizo um drama real

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

patrimônio

Tenho na palma da mão
Meu coração em pedaços
Protejo seus retalhos
E o grão que teu beijo espalha
Saliva em gotas... migalhas
Tudo o que, sendo mínimo,
Se valoriza como pérolas:
As minúsculas células da tua alma!
E mantenho meu tesouro
Guardado com o gosto da tua boca
No baú do meu corpo
Até nosso próximo encontro

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

lúdica*

Perdoa meu jeito atrevido
de devorar teu sorriso
(e te molhar sem frescura
se tua boca me manipula)

Perdoa meu jeito atirado
de te puxar pro meu lado
(e me mostrar insegura
quando tua mão me vasculha)


Perdoa meu jeito explícito
de aliciar teus pêlos ilícitos
(e me apresentar confusa
se nosso prazer se mistura)

Perdoa meu jeito indiscreto
De beijar teu membro ereto
(e saciar minha gula
quando teu gosto me inaugura)

Perdoa meu jeito voraz
de te pedir sempre mais....

Perdoa meu jeito sincero:
De te dizer que te quero!!

(*Releitura/reescritura de um poema antigo... provavelmente de 2004/2005.)

sábado, 1 de setembro de 2007

anti-soneto

Com a boca felina
O verbo preenche a rima
que brilha impaciente
(entre as coxas)

rica de desejos
... clandestina
Num toque aceso
(entre os dedos)

o verso insere
seu gesto ereto
na estrofe desmedida

e inscreve o soneto
(...obsceno)
que a libido assina

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

demora

Horas nubladas de espera
Entram pela janela
e se espalham na casa
...uma espessa camada de saudade
Me abraça...
Deixando a pele
em brasa
O tempo pára...
Me esquece... desaparece
num silêncio que me cala...
Por dentro, sua falta me explora
...sua ausência bate à porta
e o telefone não toca...

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

santa ceia

Sem cerimônia
a refeição: posta à mesa
numa rotina comum
sua carne tesa
acaba com meu jejum

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Agradecimento

A Maria Borges indicou este blog para o Prêmio Blog 5 Estrelas.
Vejam o regulamento em:
Nada pra mim

Deixo a seguir (apenas) os cinco que me são solicitados... em desordem de sentimentos:

Múcio Góes

Rayanne

Lume vagante

Moacir Caetano

Bizarro Deslumbre