quinta-feira, 1 de outubro de 2009

aéreo

Desde aquele dia
em que te senti,
voo de alegria,
e tudo que sei
é sorrir
e contar
as horas
do nosso
próximo
pouso

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

independência ou sorte

Preparo meu corpo
para receber
teu império:
a liberdade
reinando entre
mistérios
ainda covardes...
Num confronto
de indecências
nossas vontades
se rendem
E tua lança
alcança minha
urgência

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

dúbia

Depois de tempos
percebo que
quando estou feliz
a inspiração não falta
...vem sempre farta
e sempre indolor
Mas me traz um dilema:
- não sei se paro e faço um poema
pra não perder a rima
ou se abro a rima
e sigo fazendo amor!

sábado, 22 de agosto de 2009

a casa lar

Com amor-perfeito
Enfeito a sala
- Te espero chegar
Me ajeito no sofá
Decoro teu lugar
Abro meus poros
E
Devagar
Te sinto entrar...
Te fito intenso
Por dentro, penso...
“quero morar nesses olhos
E me azular

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

um dia azul

Novas telas espalham os tons felizes
se me acorda seu bom-dia
E matizes de alegria se embaralham
às rimas molhadas da minha poesia

Azul é o céu em que mergulho
mesmo quando procuro minha lua
e me olho nua nos seus desenhos
que desdenham as cores vivas
da moldura matutina
Ah esses seus raios furta-cor
... iluminam minha única paisagem:
e só vejo você: horizonte multicor
Do começo ao fim da viagem

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

gourmet

pra que seja
plena e santa
a ceia,
sigo (obscena)
o divino ritual
(sobre a cama)
me sirvo
- sobremesa -
e sorvo seu gozo
ao final

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

dedicatória

Deixa que
Esta grafia
Escarlate
Faça parte
Da alegria
Que mora
Na tua (c)alma celeste
Abre-me
Agora:
Me despe.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

rotina

Tenho gastado os dias
Sem poesia nos olhos
Sem rima no lápis
Sem muita emoção

Tenho contado as horas recentes
dedilhando as lembranças dos teus dedos
emaranhados em meus pelos:
Imagens dos sonhos acomodados
Em frequentes pesadelos

quarta-feira, 15 de julho de 2009

oralidade

Para falar-te:
Verbo
Inconjugável
E viril...
Eu, dialeto
(incomunicável)
meu verso
anuncio
e calo
só na minha língua
falo

quarta-feira, 24 de junho de 2009

metonímia

Risco a folha branca
Com meus versos
(escarlate):
e cada rima se lança
como um beijo
em sua face

Poeta...
Musa...
sou a puta
que rasura
delicadas metáforas
em suas costas
e se curva:
despida das rendas
e de certas sedas
à espera de que você ceda
e se escreva nas fendas
e dentro delas se renda