sexta-feira, 24 de setembro de 2010

poema mútuo

Fizemos da paciência
nossa virtude plena
num tempo desmedido,
marcado pela ampulheta do vinho,
bebemos sorrisos
tragamos urgências
inaugurais
misturando
inconsequências iguais

sobre os lençóis,
sóbrias inverdades:
nus, somente nós


embriagados de encanto
nos degustamos
entretanto...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

beijo

se seu lábio
me toca,
(suave)
a poesia
se abre
sob minhas roupas

enquanto seu poema
concreto
desliza pelo meu corpo
... o gosto da sua boca
atiça o alvo secreto
entre minhas coxas

sábado, 4 de setembro de 2010

(ri)mar é preciso

Ancorada no teu corpo
permaneço íntima do mar
lá... tuas águas me fazem mergulhar
À procura do incerto cais
... teu líquido desejo... (teus sinais)
E deságuo nos teus braços surreais...
Me afogo... Deixo-me embarcar...
naufrago ao te navegar...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

para ti (um porto novo)

enquanto isso...
escrevo um poema mudo
que parece (ab)surdo
e rabisco
teu nome
no meu corpo
quando a fome
do encontro
me atiça
e eriça as lembranças
do mar


São saudades
de novo
do porto
do corpo novo

domingo, 25 de julho de 2010

(in)constância

vez por outra
ele vem:
mira minha roupa
(me prefere sem)
vez por outra
ele me encontra
eu sempre pronta
(ele só: alguém)
vez por outra
ele beija minha boca
como ninguém
e me faz bem
... vez por outra...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Presente de aniversário

Mais uma vez retirei-me
Extirpando de dentro tudo que a mim lembrasse
Queria estar olhando para tudo isento
Descobri que não conseguiria
Não há como não julgar as pessoas
Olhamos sempre impregnados de preconceitos
Achismos infundados sobre desconhecimentos
Certezas pétreas como o monte de poeira
Espanado com a fúria de nossas dúvidas
Tornamo-nos confusos e soberbos
Prepotentes, supomos que conseguiremos definir tudo
Quando nem a nós mesmos sabemos definir
Precisamos muito mais que olhos para notar
O mundo incontável de outros que nos cercam
Devemos esquecer do que lembramos
Sentir cada momento amplamente
Eriçar os pelos da alma ardente
Gozar de forma intensa cada linda surpresa
Surtar ao menor contato com a possibilidade de ficar parado
Movermo-nos, nem que num rumo introspectivo
Revendo atos, atitudes, virtudes
Sendo arrimo de nossos eus
Interpretadores plenos do que sonhamos
Edificadores únicos de lúdicos objetivos
Saibamos semear e colher colaboradores
Permita que eu seja um deles
Como um texto inédito a ser corrigido
Mas não pare diante de minha forma amorfa
Entranha-se na beleza desconcertantemente desconhecida
Revisora deste sentir inédito e noviço
Disserte em meus erros regenciais
Discorde das minhas concordâncias nominais tão formais
Insira objetividade em meus objetos indiretos
Faça seu predicado ser sujeito de minha paz
Resuma-nos numa oração coordenada assindética
Onde os caminhos são sempre incertos
Quando a finalidade causal dos verbos remete
Ao contínuo e infinito questionar
Pois tudo começa no ponto final da frase:
Adoro você

As distâncias então inexistem
Sobrevém a sensação de cumplicidade
Confiança é a palavra que apraz
Neste tufão entre não tocar e realidade
Muito mais forte que afinidade
Mesmo sem sequer ter visto
Imagino sua verdade
A beleza do som de seu sorriso
O impacto da felicidade contida em sua voz
Desimporta como és enfim
A diferença entre as palavras é imensa
Fiquemos combinados assim
A data de hoje é especial para todos
Você, essencial para mim
Parabéns!

Presente de aniversário, poema de Destro (minha alma-poética-gêmea), postado em 15/07/2005, no extinto blog "Poemas e Devaneios")

quinta-feira, 1 de julho de 2010

no pretérito

Era tudo e nada
era uma forma inventada
de sentir prazer
era o gosto inédito
da boca inaugurada pelo teu ser
era a possibilidade e o acerto
era o desconcerto dos movimentos
era a mão sem lugar onde se pôr
era o olhar a ver colorido um só momento
(mesmo que tudo fosse sem cor)
era a alma a debater-se em dilemas
era um pequeno poema

Era nada
era tudo!!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

discurso (in)direto

Quando escrevo
meus planos
sem contexto
entre parênteses
no corpo... nas cartas
e leio minhas marcas
entre farpas
entre cascas
... Emudeço
(e penso):
Ando farta
de dizer
eu-te-amo
(entre aspas)