sábado, 11 de dezembro de 2010

anônimo

Teu nome
na minha língua
é silêncio corrosivo
falo que os lábios calam
quando teu verbo discorre
sob a seda do meu vestido

Teu nome
na minha boca
é ausência de som
sal que os olhos molham
quando tua verve escorre
e me borra o batom

sábado, 4 de dezembro de 2010

trama para te ser

no linho
alinhavo
novo bordado
com renda carmim
fio
(cio cingido)
pesponto
teu corpo
tecido
em mim

Saiu na net: Ricardo Kelmer escreve sobre "O texto sentido"
http://blogdokelmer.wordpress.com/2010/12/03/cio-das-letras-sandra-regina/

terça-feira, 23 de novembro de 2010

penitência

Vim te pedir perdão
Por todo esse amor
Que trago
Engasgado, afobado
Vim te pedir perdão
Pelas preces que faço,
Pela pressa de ser tua
Vim te pedir perdão
Por todos os pecados
Omitidos
Quando me exponho em sorrisos
E te ofereço meu corpo
Desavergonhado

sábado, 20 de novembro de 2010

de amor

meu verso
traz a rima
na pele
(à flor da febre)
no desejo que arde
quando se abre
e nasce
em seu estado
mais clichê:
meu poema
de amor
dedicado a você

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

a manhã sendo

Meu corpo amanhece
Pleno e impregnado
Do desejo que repousa na cama
Onde ainda se emaranham
Minha pele e suas coxas
... e o cheiro úmido de promessa
(que penetra entre minhas pernas)
Remete ao gosto do seu gozo
Que adormece
Em minha boca

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

deusa

Sou sedutora Afrodite
No imaginário de teus fetiches...
Sou a híbrida Diadorim
Delicada guerreira de boca carmim
Sou inatingível Helena
troféu da tua batalha pequena
Sou Penélope a tecer
os fios mais doces de teu prazer...
Sou Capitu desmitificada:
Tua (e)terna namorada!

Postei um novo exercício de escrita em prosa! Passem por lá: De tudo fica um conto

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

duelo verbal

Sou como rima imperfeita,
musa maldita que se deita
com tuas taras desmedidas
... tuas frases indecisas
Sou, dos teus versos, a prosa,
a poesia que do teu verbo jorra
quando goza

Juntos, somos parceria:
armadilha e escrita
Uma crônica incompleta
ou palavras complexas
Somos discretas inverdades
Numa sintaxe desconexa:
Sou teu meio-termo
És minha rara-metade

terça-feira, 26 de outubro de 2010

convite

Por que você não me chega de repente
me vira, me remexe, me prende...
me prova o gosto escondido
abafa meu gemido?

Por que você não vem agora
me desvenda, me deflora
me joga na sua cama
me chama?

Por que você não me veste com seus fetiches,
excede nossos limites
me despe dessas promessas eternas?
Por que não me abre logo as pernas?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

partilha

à delicadeza
gentil
do seu gesto
manifesto-me
acesa e sua
e ofereço
meu verso
ao seu desejo viril
que inunda
com sua matéria-prima
(obscena)
a rima fecunda
do meu corpo-poema