sábado, 29 de dezembro de 2012

chuva

o que me acordou
foi o silêncio
do acorde
a nota desafinada
ecoando no peito
uma canção nublada
tocada
só um dó

o passado perpassa
e embaça:
a voz embarga

olho as janelas molhadas
mais nada

astro lógico




minha lua
lenta
na tua lente
se desenha
em completa
sinastria

teu astro
sol refaz a
órbita do verso
no mapa astral

da poesia

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

borboletras





em minhas metamorfrases
me dispo de pele
visto outras cascas
só não abro mão
das asas

sábado, 3 de novembro de 2012

retalho

de versos brancos
o poema é tecido
entre trapos ressentidos

de um ponto de vista geométrico

A falta de perspectiva
da linha lateral
tangencia a curva
entre tantos
planos paralelos
sem outro ângulo
uma hipótese nula
desenha a única seta
na reta hipotenusa


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

passatempo

o tempo

oxida os sentimentos

e cicatriza a mágoa:

passa, tempo!

- o tempo não passa

musa


quisera ser musa
de um verso
pulsante
ser a puta
ser a amante
quisera... mesmo
ser a fêmea
de seu melhor poema
a rima preciosa
que se faz rara
quando você goza


sábado, 27 de outubro de 2012

declaração (pública) de amor

dos bens que guardo
no peito ou nas gavetas
tua palavra certeira
teu verbo farto
é tudo que regalas
desde a página primeira
em que leio tuas letras

(ao poeta André Luis Gabriel)