domingo, 17 de fevereiro de 2013

poementário*

na poesia
domingueira
uma palavra
entre
as entranhas
me extraña
um verbo distante
me leva a entender
que minha rima
colada na sua boca
feito chiclete
vira poema démodé
se me mastiga
sua mordida
clichê

 (* brincadeira poética estimulada por um comentário de um amigo)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

catástrofe


o café esfria 
na estrofe vazia
o verso engole
a rima em goles
e morre em mim
a poesia



domingo, 10 de fevereiro de 2013

desenredo

hoje
eu quero
um poema concreto
sem fantasias
sem folia
hoje
eu trago
um poema
inquieto e tranquilo
com a rima
no mesmo compasso
do verso
carnavalesco
sem alegria
hoje
vou deixar
que a poesia
me destile

meu poema
hoje
não me quer
poeta
o poema me quer
desfile

sábado, 26 de janeiro de 2013

yesterday

o poema de ontem
ainda lateja
dentro do verso
que te deseja
perto


o poema de ontem
ainda vibra
e canta feito mantra 
nos tecidos
na pele
na garganta

o poema de ontem 
é inédito clichê
rima única
entre mim
e você

domingo, 13 de janeiro de 2013

alguns desejos
são como pétalas
néctar incutido
em flor

alguns desejos
são como pérolas
nácar contido
incolor

alguns desejos
são épicos
resignados
à dor


alguns desejos
são bélicos
são só
desejos armados
não amor

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

o espelho e o girassol*




seu gesto
tem gosto doce
promessa
de beijo 
na boca 
da "dona moça"
seu gesto meigo
da cor singela
qual flor amarela
que o espelho
espalha 
na tela



(* Obrigada pelo presente, Deivson Trajano, aliás, obrigada por todos os presentes, em todos os sentidos...)
- crédito da foto: Google


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ex-tudo em P&B

rascunho contigo
um esboço
um claro-escuro
de espessos fios

me expresso
nesse traço
espalho a tinta
sobre o desenho
que você pinta

reforço a tonalidade
(febril)
da pétala
(que nem se abriu)
crio outros tons...
flores...nuances

dou nova forma
às linhas
ponho outras cores
nesse romance










domingo, 30 de dezembro de 2012

reminiscência

eu guardo
na boca
um desejo
em segredo
mas ele
me entrega
quando escorrega
pela ponta
dos seus dedos


sábado, 29 de dezembro de 2012

chuva

o que me acordou
foi o silêncio
do acorde
a nota desafinada
ecoando no peito
uma canção nublada
tocada
só um dó

o passado perpassa
e embaça:
a voz embarga

olho as janelas molhadas
mais nada

astro lógico




minha lua
lenta
na tua lente
se desenha
em completa
sinastria

teu astro
sol refaz a
órbita do verso
no mapa astral

da poesia