Aos domingos eu crio
(uni)versos
como quem viaja
por espaços intransitáveis
que talvez nem haja
traço e passo
por trechos
insistentemente
percorridos:
palavras gastas,
sem sentido,
anuncio...
Aos domingos eu c(r)io
devoro romances
atrasados
(te) reinvento
por dentro choro e rio
Aos domingos eu (c)rio
naufrago
me perco (s)em seu verbo
às vezes, falo
às vezes, silencio
sempre
que você
da minha rima
se afasta
minha mão
delicada
me basta
só quando
você se ausenta
do meu corpo
em brasa
a poesia
me abraça
toda vez
que você
me escapa
eu sou
mais
amada
nus
abraçamos
a intimidade
da espuma
a mão insegura
desliza sobre
precisa pele
que cede
à água que desce
pelas pernas
e se perde
entre os membros
(se bem me lembro)
e o corpo
inaugura a mesma
fantasia
nos tecidos tensos
de outra poesia