quarta-feira, 4 de setembro de 2013

presente (ou o livro de cabeceira)

o poema
que você
tece
tem gosto
de promessa
- moço,
meça bem
seus versos
neles a rima
não tem desgosto
tudo não passa
de um gesto:
é só um gosto
(um presente)
mas veja bem
não se apresente
tão cruel:
pra você é só
um pedaço
de papel
e pode ser
que eu me engane
com esse seu
origami




sábado, 24 de agosto de 2013

triste constatação
saber-me preterida em vez de preferida
não foi erro de digitação

(arte de Fernando Cardoso)

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

(casando.....)

no meio dos parênteses tinha um gerúndio
tinha um gerúndio no meio dos parênteses
e isso acabou com meu discurso

domingo, 18 de agosto de 2013

dos domingos vazios

Aos domingos eu crio
(uni)versos
como quem viaja
por espaços intransitáveis
que talvez nem haja
traço e passo
por trechos
insistentemente
percorridos:
palavras gastas,
sem sentido,
anuncio...
Aos domingos eu c(r)io
devoro romances
atrasados
(te) reinvento
por dentro choro e rio
Aos domingos eu (c)rio
naufrago
me perco (s)em seu verbo
às vezes, falo
às vezes, silencio

domingo, 4 de agosto de 2013

domingo, 14 de julho de 2013

síndrome de amor-próprio

sempre
que você
da minha rima
se afasta
minha mão
delicada
me basta
só quando
você se ausenta
do meu corpo
em brasa
a poesia
me abraça
toda vez
que você
me escapa
eu sou
mais
amada


prisma

hoje, surtando,
lembrei como era bom
quando eu via a vida
ton sur ton

terça-feira, 9 de julho de 2013

a valsa* mais doce

lentas,
as notas
vêm ao encontro
dos corpos
e... se tocam...

as mesmas
notas 
macias
dançam na pele
até que se revele
a poesia


no compasso
dos passos
as notas
nos abraços
repetem nosso som

no balanço
das pernas
em laço
seus braços
seus dons

(*para uma bela valsa que me fez sonhar numa tarde fria)


segunda-feira, 8 de julho de 2013

feitiço, fetiches, fantasias

nus
abraçamos
a intimidade
da espuma
a mão insegura
desliza sobre
precisa pele
que cede
à água que desce
pelas pernas
e se perde
entre os membros
(se bem me lembro)
e o corpo
inaugura a mesma
fantasia
nos tecidos tensos
de outra poesia

quarta-feira, 3 de julho de 2013

perecível (ou volátil)


se sentires
que a íris
efêmera
pode ainda
permanecer...
Deixa que a flor
volátil
(como a vida)
pereça múltipla
e última
possa
florescer