sexta-feira, 13 de junho de 2014

minhas bagatelas*

será que a gente é insana
ou serena
quando quer que toda dor
vire poema?

será que é masoquismo
ou rebeldia
querer no verso o excesso
da poesia?

será plágio,
novela ou drama
o que a gente
escreve e finge que ama?

será que a gente
é mito ou musa
quando oculta essa dor
filhadaputa?


* "inspirada" na canção "Bagatelas", de Adriana Calcanhotto

quinta-feira, 12 de junho de 2014

sem voz com verso


dialogo
em silêncio
com a mudez
da tua hipocrisia
e o dia logo
em prece
emudece minha
poesia

quarta-feira, 11 de junho de 2014

flexão

mudo
o verbo
na vã tentativa
de (te) conjugar
luto
em latim
a declinar
tuas formas
impessoais:
sujeito
que não concorda
mais
com o mais-que-perfeito
modo pretérito
de te amar

terça-feira, 10 de junho de 2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

domingo, 4 de maio de 2014

outro dia (mas era domingo)

por trás da cortina
a retina traz
o rosto
o gosto
o gesto
fecho os olhos
e os olhos
vendados
veem o resto

quarta-feira, 30 de abril de 2014

a manhã sem poesia

A poesia ficou
ainda inanimada
na cama desarrumada
entre o linho dos lençóis
despertei só-lida
matéria
corpo sem alma
(falo dessa alma: sonhadora)
...etérea
acordei sem nós
hoje sou apenas
sua favorita
revisora

domingo, 27 de abril de 2014

alguma dor


do lado direito
ou no peito
nos ombros
há um peso
feneço
num dó
que soa
ecoa e molha
o rosto
que vejo
no espelho

terça-feira, 15 de abril de 2014

senhas, surpresas e sinais

sossego o sonho
no seu sucesso
na sua sorte:
sensações sublimes
são sempre seguidas
de sonhos...

sinto seu sopro
soluço simbiótico
sacrifico o sagrado
saldo sussurrado
sobretudo
sobre seu sofá
sofro se sobram
silêncios, saudades
... solidões
se se sabem
seus segredos
(sem sins e senões)
são somente
sementes
satisfaço-me
com seu sêmen
salva-dor
na saliva
seu suor
seu sabor
e sobre sibilâncias e saliências
sobressaio
sóbria e sã
saio
sutilmente
sorrio
safada
(sem sutiã)

senhora e santa
sou sempre
sua:

(Sandra)