sábado, 7 de março de 2015

para minha disritmia

improviso um passo
balanço o corpo
e erro a letra
na minha vila
é seu ritmo
que desfila
feito estrelas
no céu
só sei que danço 
descompassada
quando ouço
outro samba 
de Noel

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

brincadeira de carnaval

seus olhos
esse deleite
um delírio
envolvente
seus olhos
distantes
meros detalhes
silentes
seus olhos
esse silêncio
instigante
dialeto perfeito
para os meus

defeitos

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

desconcerto



fora de compasso
bate esse meu coração
tão desafinado
e ainda dispara
a cada nota
quando você
me toca

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

sábado, 15 de novembro de 2014

um verso sozinho não faz refrão

para tecer
um verso
não meço
(nem apresso)
a rima
não presto
atenção
à forma
não penso em pôr
o poema em fôrma
sou antiestética
sem métrica
mesmo assim
não sou concreta
nem me presto
a seguir as regras
me percebo
como um blefe
um plágio
um placebo
criação inútil
e frágil

lírica em demasia
diante do poema
não sou poeta
me sei apenas
poesia

terça-feira, 11 de novembro de 2014

graffiti

Risco muros da cidade
sem rumo nem rima
num traço
minha oportunidade
de assumir sozinha
o incerto diverso
que a poesia
me destina


sábado, 8 de novembro de 2014

jardim

uma sombra
ao lado
do lago
tranquilo desejo
que trago
na ponta
da língua
quase pronta
para outro
beijo

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

camerata

Tens um timbre suave
que finge o acorde grave
em semitom agudo
e assim me confundo
entre teus harmônicos sons
... só sei que teus dons
embalam meus gestos afins
e assim teus versos
afinam noutras notas
(que rimam)
quando tocam
em mim


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

reencontro poético

há um poema preso
na boca faminta
no gosto, na língua
há um poema posto
no meio das pernas
dentro da rima interna
há um poema explícito
no íntimo contato
do corpo
no gesto
no tato
no verso

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

outra saudade

querendo parar de me sentir
uma tola absoluta
pra deixar de confundir
a sensibilidade de Drummond
com a saudade de Neruda