para tecer
um verso
não meço
(nem apresso)
a rima
não presto
atenção
à forma
não penso em pôr
o poema em fôrma
sou antiestética
sem métrica
mesmo assim
não sou concreta
nem me presto
a seguir as regras
me percebo
como um blefe
um plágio
um placebo
criação inútil
e frágil
lírica em demasia
diante do poema
não sou poeta
me sei apenas
poesia
Tens um timbre suave
que finge o acorde grave
em semitom agudo
e assim me confundo
entre teus harmônicos sons
... só sei que teus dons
embalam meus gestos afins
e assim teus versos
afinam noutras notas
(que rimam)
quando tocam
em mim
há um poema preso
na boca faminta
no gosto, na língua
há um poema posto
no meio das pernas
dentro da rima interna
há um poema explícito
no íntimo contato
do corpo
no gesto
no tato
no verso