quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

quando (acordo) azul

coração descompassado

me lembra que é carnaval

ouço no peito

o batuque passional

como num voo - o corpo alado - me deixo

me deito ao teu lado, ouso...

repouso meu peso no teu colo

descolo um afago

apago...

uma promessa, sem pressa,

se expressa em poesia

me fantasia de sonho 

componho um poema ao sonhar

teu olhar 

(azul intenso a me olhar)

teu olhar

de devaneios e encantos tantos

(teus olhos azuis)

ainda me espanto com tua luz:

brilho que brinca e ofusca

na busca do ritmo, do tom 

entoo os versos que compus

rimos das rimas que fiz

abraçados, me olhas feliz

 

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

sem rima

um poema 

que nasce atrasado 

não pode ser tardio

como orquídea

que floresce

fora da estação

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

mil e tantas noites

parecia filme antigo

"feitiço da Lua"

encantamento

mil e uma aventuras noturnas

"feitiço do tempo"

(o astro bem aspectado do momento)

parecia Penélope Saturna

tecendo enredo nas linhas 

com encontros estelares

todas as noites vinha

com mais sonhos solares

no céu do dia

de Sol se vestia

traçando todas as possibilidades

em uma única chance:

parecia romance



domingo, 14 de junho de 2020

jogo de azar


ele ronda
eu cedo
me rendo
ando com sede
concedo
ele sonda
eu assinto
me visto de renda
e seda
finjo
ele afronta
eu minto
ressinto
desautorizo
desisto

sexta-feira, 5 de junho de 2020

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Outono raro


No escuro, o quarto
(corpo) em abandono
procuro teu sono
o corpo tão raro (outro)
E é teu calor ausente
que vem ao meu encontro
E a cada falta
da tua palma no ventre
do lado dentro
do tecido frio
na pele, a febre se mostra exposta
e brota uma gota
de saudade
(com gosto acre)
no segredo do lábio ainda macio
Sonho à míngua
recrio um trava-língua:
ponho a trama do teu desejo
entre meu beijo de cio
a libido ali por um fio

segunda-feira, 3 de junho de 2019

chamada oral

trago
na ponta de língua
aperto
afago
o verbo
que a saliva
no presente do indicativo
provoca
em primeira
pessoa
a prova
conjugo:
 – falo

ele goza



quarta-feira, 9 de maio de 2018

lingerie

pequena peça
adormecida
que, atrevida,
traz de volta
a noite tecida
imagem colorida
detalhe no cio
que enfeita
a cama desfeita
o leito (agora) vazio

em meio ao tecido
do lençol amassado
a peça esquecida
está guardada
e entre as cobertas
foi descoberta

fetiche que excita
umidade do cio
prosa
goza
poesia
uma calcinha cor-de-rosa
compõe a fantasia



sábado, 23 de setembro de 2017

fetichismo

tuas mãos
- invasão que desliza -
suavidade em contraste
com a tua determinação
tuas mãos
- desenho contorno tato -
toque que revela
em relevo sem limites
o gesto preciso
na intensidade da pele
tuas mãos
desejo explícito
no humor íntimo
da superfície interna
entre minhas pernas

domingo, 17 de setembro de 2017

domingo

o corpo
no lençol
arde
pleno
como sol:
o corpo
jorra
molha os tecidos
gozo
que deixa vestígios
impregna cantos
enquanto
vestidos despidos
assistem à cena
no silêncio
(da libido)
mais um poema

terça-feira, 8 de agosto de 2017

nº "n"



Eufemismo raro
Falo
Gozo pleno
pleonasmo 
Rima minha
Fantasia
Em sua língua 
Orgasmo

(da série Bilíngue)

sábado, 29 de julho de 2017

um corpo que atrai

procuro argumento
tento
penso
me rendo:
sua mão, leve,
me eleva 
(me apequeno)
minha pele
pede
cede
me remete
ao beijo:
que desejo
pleno
e ameno
num gemido, 
cicio,
meu pedido
anuncio:
falo
me dilato
a cada toque
que percorre
 toda minha tensão
(sou tesão)

no cio
espasmo
e silencio
orgasmo
(que não mais me cabe)

.
.
.

o sêmen me abre
(me encobre)
enquanto a palavra
me engole

terça-feira, 30 de maio de 2017

quando o sujeito é você
tanto faz se por baixo ou em cima
o gozo rima sempre com a rima

quinta-feira, 4 de maio de 2017

poética


Meu eu lírico
Não é bom de prosa
provoca, tímido, 
Depois reprova
Se ela goza

Meu eu lírico
É cínico:
Destoa da rima
Declina o verso
Inunda... voa
Sobre tua segunda pessoa

segunda-feira, 1 de maio de 2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

segunda-feira, 17 de abril de 2017

domingo, 16 de abril de 2017

como se fosse
um passo, na dança
ela se lança
como uma qualquer:
dama da rua
se insinua
como um abajur
à pilha
ela brilha
como se fosse chama
ela arde
e ama

sexta-feira, 31 de março de 2017

malícia digital

tenho
entre as pernas
um monte
um mantra
uma caverna
uma gruta
estalactite
estrelas
estrias
um pouco de celulite
uma explosão
de alegria

guardo
entre as pernas
nas entrelinhas
um (uni)verso
um verbo de dentro
por baixo
em cima
sonetos
uma porção de rimas

entre as pernas
reverbero
segredo
- para revelar
minha poesia
só falta você chegar

cheio de dedos