sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

(a)temporal

É tempo de distrair tempestades
E vislumbrar imagens invisíveis
Tempo de esquecer amores impossíveis
E deixar a vida (só) correr

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

há que ser

há que ser
a tua alma
parte secreta
que agrega
(ou minha
parte que falta?)

há que ser
a palavra-metáfora
parábola sintática:
a pálida fração
da razão

há que ser
a carne, a pele
o todo
(a metonímia
da matéria física)
vítima do prazer
de ter teu ser
a me aquecer...

domingo, 19 de dezembro de 2010

sábado, 11 de dezembro de 2010

anônimo

Teu nome
na minha língua
é silêncio corrosivo
falo que os lábios calam
quando teu verbo discorre
sob a seda do meu vestido

Teu nome
na minha boca
é ausência de som
sal que os olhos molham
quando tua verve escorre
e me borra o batom

sábado, 4 de dezembro de 2010

trama para te ser

no linho
alinhavo
novo bordado
com renda carmim
fio
(cio cingido)
pesponto
teu corpo
tecido
em mim

Saiu na net: Ricardo Kelmer escreve sobre "O texto sentido"
http://blogdokelmer.wordpress.com/2010/12/03/cio-das-letras-sandra-regina/

terça-feira, 23 de novembro de 2010

penitência

Vim te pedir perdão
Por todo esse amor
Que trago
Engasgado, afobado
Vim te pedir perdão
Pelas preces que faço,
Pela pressa de ser tua
Vim te pedir perdão
Por todos os pecados
Omitidos
Quando me exponho em sorrisos
E te ofereço meu corpo
Desavergonhado

sábado, 20 de novembro de 2010

de amor

meu verso
traz a rima
na pele
(à flor da febre)
no desejo que arde
quando se abre
e nasce
em seu estado
mais clichê:
meu poema
de amor
dedicado a você

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

a manhã sendo

Meu corpo amanhece
Pleno e impregnado
Do desejo que repousa na cama
Onde ainda se emaranham
Minha pele e suas coxas
... e o cheiro úmido de promessa
(que penetra entre minhas pernas)
Remete ao gosto do seu gozo
Que adormece
Em minha boca

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

deusa

Sou sedutora Afrodite
No imaginário de teus fetiches...
Sou a híbrida Diadorim
Delicada guerreira de boca carmim
Sou inatingível Helena
troféu da tua batalha pequena
Sou Penélope a tecer
os fios mais doces de teu prazer...
Sou Capitu desmitificada:
Tua (e)terna namorada!

Postei um novo exercício de escrita em prosa! Passem por lá: De tudo fica um conto

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

duelo verbal

Sou como rima imperfeita,
musa maldita que se deita
com tuas taras desmedidas
... tuas frases indecisas
Sou, dos teus versos, a prosa,
a poesia que do teu verbo jorra
quando goza

Juntos, somos parceria:
armadilha e escrita
Uma crônica incompleta
ou palavras complexas
Somos discretas inverdades
Numa sintaxe desconexa:
Sou teu meio-termo
És minha rara-metade

terça-feira, 26 de outubro de 2010

convite

Por que você não me chega de repente
me vira, me remexe, me prende...
me prova o gosto escondido
abafa meu gemido?

Por que você não vem agora
me desvenda, me deflora
me joga na sua cama
me chama?

Por que você não me veste com seus fetiches,
excede nossos limites
me despe dessas promessas eternas?
Por que não me abre logo as pernas?

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

partilha

à delicadeza
gentil
do seu gesto
manifesto-me
acesa e sua
e ofereço
meu verso
ao seu desejo viril
que inunda
com sua matéria-prima
(obscena)
a rima fecunda
do meu corpo-poema

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Programação de férias

Enquanto a rima descansa
e o coração arranja outro motivo
para não parar de bater,
enquanto a conversa sem graça
passa pela boca e silencia
vazia de seu prazer...
A mente viaja
em diversos solos
fixa em seus propósitos:
ser feliz, de polo a polo!

Queridos leitores,
Durante minhas férias, ocorrerá em Sampa o lançamento de mais um maravilhoso livro do meu mais que admirado poetamigo Mucio Goes.
Dia 09/10, no Espaço Alberico, Pça Benedito Calixto, 159 - pra quem estiver por aqui: IMPERDÍVEL!!!

É dele:
"FINESSE
Dona
de uma fineza
absoluta:
na sala, Sartre.
na cama, Sutra."
finalista do Fliporto TOC 140. http://www.fliportodigital.net/index.php/toc-140/
quem puder dar uma força lá, ficarei muito grata!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

poema mútuo

Fizemos da paciência
nossa virtude plena
num tempo desmedido,
marcado pela ampulheta do vinho,
bebemos sorrisos
tragamos urgências
inaugurais
misturando
inconsequências iguais

sobre os lençóis,
sóbrias inverdades:
nus, somente nós


embriagados de encanto
nos degustamos
entretanto...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

beijo

se seu lábio
me toca,
(suave)
a poesia
se abre
sob minhas roupas

enquanto seu poema
concreto
desliza pelo meu corpo
... o gosto da sua boca
atiça o alvo secreto
entre minhas coxas

sábado, 4 de setembro de 2010

(ri)mar é preciso

Ancorada no teu corpo
permaneço íntima do mar
lá... tuas águas me fazem mergulhar
À procura do incerto cais
... teu líquido desejo... (teus sinais)
E deságuo nos teus braços surreais...
Me afogo... Deixo-me embarcar...
naufrago ao te navegar...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

para ti (um porto novo)

enquanto isso...
escrevo um poema mudo
que parece (ab)surdo
e rabisco
teu nome
no meu corpo
quando a fome
do encontro
me atiça
e eriça as lembranças
do mar


São saudades
de novo
do porto
do corpo novo

domingo, 25 de julho de 2010

(in)constância

vez por outra
ele vem:
mira minha roupa
(me prefere sem)
vez por outra
ele me encontra
eu sempre pronta
(ele só: alguém)
vez por outra
ele beija minha boca
como ninguém
e me faz bem
... vez por outra...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Presente de aniversário

Mais uma vez retirei-me
Extirpando de dentro tudo que a mim lembrasse
Queria estar olhando para tudo isento
Descobri que não conseguiria
Não há como não julgar as pessoas
Olhamos sempre impregnados de preconceitos
Achismos infundados sobre desconhecimentos
Certezas pétreas como o monte de poeira
Espanado com a fúria de nossas dúvidas
Tornamo-nos confusos e soberbos
Prepotentes, supomos que conseguiremos definir tudo
Quando nem a nós mesmos sabemos definir
Precisamos muito mais que olhos para notar
O mundo incontável de outros que nos cercam
Devemos esquecer do que lembramos
Sentir cada momento amplamente
Eriçar os pelos da alma ardente
Gozar de forma intensa cada linda surpresa
Surtar ao menor contato com a possibilidade de ficar parado
Movermo-nos, nem que num rumo introspectivo
Revendo atos, atitudes, virtudes
Sendo arrimo de nossos eus
Interpretadores plenos do que sonhamos
Edificadores únicos de lúdicos objetivos
Saibamos semear e colher colaboradores
Permita que eu seja um deles
Como um texto inédito a ser corrigido
Mas não pare diante de minha forma amorfa
Entranha-se na beleza desconcertantemente desconhecida
Revisora deste sentir inédito e noviço
Disserte em meus erros regenciais
Discorde das minhas concordâncias nominais tão formais
Insira objetividade em meus objetos indiretos
Faça seu predicado ser sujeito de minha paz
Resuma-nos numa oração coordenada assindética
Onde os caminhos são sempre incertos
Quando a finalidade causal dos verbos remete
Ao contínuo e infinito questionar
Pois tudo começa no ponto final da frase:
Adoro você

As distâncias então inexistem
Sobrevém a sensação de cumplicidade
Confiança é a palavra que apraz
Neste tufão entre não tocar e realidade
Muito mais forte que afinidade
Mesmo sem sequer ter visto
Imagino sua verdade
A beleza do som de seu sorriso
O impacto da felicidade contida em sua voz
Desimporta como és enfim
A diferença entre as palavras é imensa
Fiquemos combinados assim
A data de hoje é especial para todos
Você, essencial para mim
Parabéns!

Presente de aniversário, poema de Destro (minha alma-poética-gêmea), postado em 15/07/2005, no extinto blog "Poemas e Devaneios")

quinta-feira, 1 de julho de 2010

no pretérito

Era tudo e nada
era uma forma inventada
de sentir prazer
era o gosto inédito
da boca inaugurada pelo teu ser
era a possibilidade e o acerto
era o desconcerto dos movimentos
era a mão sem lugar onde se pôr
era o olhar a ver colorido um só momento
(mesmo que tudo fosse sem cor)
era a alma a debater-se em dilemas
era um pequeno poema

Era nada
era tudo!!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

discurso (in)direto

Quando escrevo
meus planos
sem contexto
entre parênteses
no corpo... nas cartas
e leio minhas marcas
entre farpas
entre cascas
... Emudeço
(e penso):
Ando farta
de dizer
eu-te-amo
(entre aspas)

sábado, 19 de junho de 2010

delírio de uma noite sem verão

Deito em nossa cama
para esperar o momento
perfeito e oportuno
de invadir teu esquecimento
num desses meus impulsos noturnos
... No repouso do corpo
meu desejo latejante se adia
sonhando ter tua âncora
fincada em minha fantasia

sábado, 12 de junho de 2010

amante

Existe
um contraste
constante
Das tuas mãos hesitantes
e teu olhar excitante
que me olha
e molha
interna
eterna
(entre as pernas)

quarta-feira, 31 de março de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

oposição

Em nossa poesia
Noturna
Seu desejo
Procura
(no meu verso)
A rima
Mais chula

sábado, 9 de janeiro de 2010

um certo olhar

não é na cor
do teu olho
que me fixo:
azul indistinto

sinto "meu" amor
refletido
quando te fito

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

FELIZ NOVO ANO

Sem muito
a dizer
além dos velhos
e (nem tão) bons
clichês
percorro as mesmas
linhas
que só
trilhas...

Perdoem a falta de poesia... Promessa pra 2010: POETAR MUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUITO!!!!!
Felicidades a todos que pasarem por aqui!


PRESENTE: o amigo poético MARCOS CÔRTES (http://poetaalgum.blogspot.com) me deu esse precioso poema de presente:

Dona

Dona,
quer ser poesia quando crescer:
Mas sabe o belo que foi,
mal sabe o belo que é.

Para quê ser poesia,
se seu corpo e sua alma,
fazem dela poetisa:
é tão mais divertido assim!

Dona,
é Dona de si.
Viaja nada inocente,
neste mundo de poesias.
Canta suas rimas,
Toca seu corpo.
E do despedaçado,
fez um eco-cardio-drama.

Dona,
cheia de prosas e fetiches
Saiba o belo que é.
Dona de si, feita em versos.
E de corpo e alma,
és Dona Poetisa.